
Alberto Nicácio da Costa Barbosa era um homem grande. E não falo apenas da altura, da presença que se impunha pela estatura. Falo do tamanho do coração, da generosidade sem moldura, da alegria que ele espalhava como quem semeia sorrisos pelo caminho.
Professor respeitado, por onde passava deixava rastros de luz. Na rua, o chamado era quase um coro espontâneo:
— Betão! Betão! Betão!
E ele respondia com aquele sorriso largo, alma leve, sempre pronto para o abraço ou para a piada do dia.
Betão era desses que nascem sem maldade. Tinha um coração que só sabia bater por paz. A casa dele era pouso e porto, onde todos eram recebidos com a mesma ternura — amigos, vizinhos, parentes ou apenas conhecidos de ocasião.
Tinha gosto pelas coisas simples: um bom mocotó no fogo, uma rodada de baralho entre risos, histórias e lembranças.
Era mestre das farras saudáveis, dos encontros onde o riso era garantido e o afeto, servido à vontade.
Em certos momentos, era homem feito, cheio de sabedoria.
Em outros, menino travesso, alma livre, rindo com o mundo — ou do mundo.
Betão era família. Amava seus sobrinhos com zelo, seus amigos com lealdade.
Na escola, era exemplo. Professor que ensinava com o coração, que sabia que o saber só tem valor quando carrega junto o amor.
Hoje, ele está no céu. Talvez jogando conversa fora com as estrelas, talvez preparando mocotó para algum anjo curioso. Virou estrela cadente — dessas que passam brilhando só para lembrar que existe beleza até na saudade.
E brilha.vBrilha lá de cima para nós que seguimos aqui, guardando no peito as lições que ele nos deixou. A lição da alegria, do acolhimento, da vida bem vivida.
Tenho certeza que Deus o acolheu com festa, como ele faria com qualquer um de nós. Também tenho certeza que sua luz continua a iluminar Ceará-Mirim, onde sua memória se transformou em legado.
Betão: um homem grande. Maior do que a vida.
Muito obrigado!